"SANTA"

Fascinação, o que é fascinação? Algo que me causa arrepio na pele por este teu jeito de menina num corpo de mulher, que me enche de desejos. Não sei direito, mas, to achando que isso é a raiz de um amor.

Conforto, carinho e segurança, acordo e dou por mim com uma agradável e revigorante energia a percorrer o meu corpo.

Conforto, carinho e segurança, acordo e dou por mim com uma agradável e revigorante energia a percorrer o meu corpo.

Sinto o calor de um corpo desnudo junto ao meu, olho para ela, confuso e ligeiramente entorpecido olho novamente aquele corpo junto a mim. Espantado e incrédulo dou por mim sem reacção, tento objectivamente pensar nos acontecimentos da noite anterior.

Fragmentos de uma memória, toques, sensações, um turbilhão de sentimentos e sensibilidades. Paro com a tentativa de recordar e instintivamente dou por mim a espreitar cautelosamente para debaixo do lençol. Nu, despido de preconceitos, emoções e amizades, apenas e só o meu corpo desnudo. As minhas relíquias parecem revigoradas e saciadas, mas continuo incrédulo e perdido, como fui capaz, como irei explicar estes acontecimentos.
Revolto-me e dou por mim numa intensa e inglória luta interna. Incerto da forma como hei-de acordar a Bela adormecida, medos e dúvidas, de como irá este odioso ser reagir, do que dirá. Uma carícia, um sussurro ou será melhor deixa-la dormir e sair de fininho como se nada tivesse acontecido. Duvidas que são dissipadas pelo despertar daquele ser. Ela acorda, gestos suaves e delicados, sinto o nervosismo a apoderar-se de mim, temo o pior, anseio o melhor. Ela vira-se e olha-me nos olhos, esbugalhados e nebulosos perscrutam o meu olhar, sonda os meus olhos. Um silêncio ensurdecedor invade aquele quarto. Nada se ouve, o silêncio é acompanhado por aquela intensa troca de olhares, o ambiente torna-se esquisito e periclitante.
Um grito, um estridente e sincero berro, um arrepio ascende pela minha espinha acima, preparo-me para o pior. O meu pensamento e temor é interrompido pelas palavras dela, o esquisito silêncio é quebrado por aquelas rudes e ofendidas palavras.
– ESTÁS NA MINHA CAMA!!!!!
Suspiro e instintivamente dou por mim a responder de uma forma pausada e surpreendentemente calma.
– Cama é minha, tu estás na MINHA cama.
Respiro fundo e preparo-me para um cataclismo. Perplexo, vejo a Bela dama a levantar-se, embrulhando-se com o lençol, recolhendo do chão as roupas que na noite anterior ela de uma forma gloriosa e sedutora envergara no seu escultural corpo. Sigo com o olhar cada gesto, cada delicado e fascinante movimento dela. Ela olha para mim.
– Tapa-te! Veste-te!!
Ordena-me ela, não disfarçando um discreto sorriso. Atira-me uma almofada, atingindo toda a minha glória, que começava a mostrar novos sinais de vida. Prendo a almofada, ainda sem capacidade de transmitir qualquer palavra, sem reacção, perdido nos meus sombrios e doces pensamentos. Tudo em mim indica que é o começo do fim, que num momento de loucura de ambos selamos o nosso destino. Esta seria a noite que jamais conseguiríamos apagar das nossas almas.
Acaba de se vestir, sempre altiva e segura como se tivesse em controlo de toda a situação. Recordo a forma delicada e extremamente lasciva como rebolavas o rabiosque fazendo a libido atingir níveis altos que me provocavam ainda mais, uma qualquer reacção. O meu corpo ansiava um novo encontro, ter-te, possuir-te. O desejo era muito, no entanto sabia que não poderia ser, jamais se deveria repetir, provavelmente o melhor seria mesmo esquecer.
   Abres a porta, olhas-me uma última vez, não consigo perceber qualquer emoção na tua face, esboças um exíguo e quase indistinto sorriso e de uma forma ainda mais surpreendente deixas-me com aquelas misteriosas palavras:

– Que loucura… Amor!

igorhunsaker