PRIMEIRA PARTE

Amor virtual não passa de uma ilusão, um amor platônico, um sentimento frágil por um personagem criado pela própria imaginação, sem base sólida para crescer e se fortalecer.

É como uma roseira que nasce entre as rochas, mas se a raiz não encontrar profundidade com terra fértil para se expandir e se sustentar, morrerá antes de florescer.

A imagem de Júlia me encantou desde a primeira visão. Tinha um olhar forte e resoluto, sumamente sedutor, em um rosto lindo, só posteriormente, quando ela mesma me chamou a atenção para o fato, percebi nela os traços de menina impostos pelos seus dezesseis anos. Assim, de início a tratei como mulher, hipnotizado pela visão de uma imagem em um quadradinho na tela do computador. Depois que distingui seus traços juvenis, no entanto, não pude mais deixar de vê-los, mas tal visão somente adicionou mais fascínio ao encantamento prévio, deixando-me então duplamente enfeitiçado, pela menina e pela mulher.

Conhecemo-nos em meio a uma coincidência extraordinária. Eu acabara de pegar um texto para mostrar a outra pessoa quando ela surgiu, dizendo reescrever contos de fadas sob roupagem erótica, exatamente o tema do pequeno conto que eu tinha em mãos. O acaso favoreceu uma empatia imediata; logo conversávamos com franca intimidade, trocando endereço eletrônico; no mesmo dia pude contemplar a bela imagem da moça. Desde o primeiro olhar ela me encantou.

No dia seguinte conversamos por um longo tempo, e eu já estava completamente embevecido por Júlia quando ela resolveu me mostrar partes do corpo, me levando a um estado de excitação quase indescritível. Uma sensação de afogamento me assaltava, tomava conta de mim, mas de uma maneira deliciosa. Minha respiração profundamente conturbada se desenvolvia afobadamente, sem ritmo, aos borbotões, como se eu estivesse sendo tragado por vagas potentes, e apesar disso eu me deliciava com a sensação, como se hipnotizado, como se amarrado por teias invisíveis e inescapáveis.

Nos outros dias que se seguiram a sensação de opressão, de ausência de ritmo na respiração aumentou ainda mais, tanto quanto a área do corpo revelada pela menina.

Difícil compreender certas idiossincrasias. Vou à praia diariamente há anos e lá observo milhares de jovens desnudas quase todos os dias, mesmo assim a imagem de Júlia de calcinha em um quadradinho me roubava a razão por completo, embora vestindo um casaco puxado para cima, deixando a barriga sensual à mostra. O que me impressionava, de fato, o que eliminava toda a minha razão fazendo eu me comportar como um símio, era simplesmente a visão da menina de calcinha, o mesmo que eu via quase todos os dias. Lembro, no entanto, de sua pele luminosa, de sua brancura reluzente e intensa contrastando com a calcinha preta, das curvas sinuosas reveladas de maneira sensual; da bundinha entrevista apenas de perfil, dos movimentos leves e deliciosos, naturalmente sensuais, sem nenhuma malícia, sem nenhuma técnica, pouquíssimo treinamento.

No dia seguinte ela me mostrou os peitos, bem voluptuosos, suculentos, ostentando uma auréola grande, rosada e sumamente apetitosa. A palavra justa, aliás, era precisamente essa: “apetitosa”. Os peitões que a menina me oferecia à distância eram um convite ao deleite, provocavam uma enorme ânsia, um desejo imenso de sorver-lhe, de sugar-lhe inteira por ali. Os seios deliciosos insistiam em se separar um do outro, ansiando por mais espaço, insubordinando-se contra a contenção a que vinham se sujeitando. Uma vez libertos se impunham, se espalhavam recusando-se sujeitar a qualquer opressão, embora a moça os comprimisse, mais por timidez que por tesão, creio.

Também alucinei vendo apenas sua cintura, seu umbigo no centro de um violão sensualíssimo e de curvas enlouquecedoras. Já me encontrava fora de mim quando a menina resolveu mostrar a bocetinha; abaixando as calças, deitada, revelou-me uma boceta deliciosa. Confesso ter ficado tão ensandecido que acabei perdendo todo o registro da maravilhosa imagem, que, lembro, me alucinou ao extremo. Acredito ter sido algum excesso que me impediu registrar a imagem extraordinária, como se uma embriaguez estupenda houvesse me roubado a memória.

Em nossas conversas posteriores disse achar que os peitinhos devem se insinuar discretamente a princípio, ganhando espaço vagarosamente, roubando a cena aos poucos até se imporem magnânimos. Do mesmo modo o corpo não deve se expor de uma vez, deve ameaçar, mostrando-se vagarosamente, revelando-se aos poucos, estendendo o suspense o maior tempo possível, roubando a razão do expectador, conturbando-lhe a mente, enlouquecendo a vítima por completo, até a suprema embriaguez. Quanto à boceta, protagonista do espetáculo, a meu ver, deve ser guardada para o final, revelando-se em um momento mágico, produzindo alucinação derradeira e contundente.

Tendo passado dias inteiros pensando na gostosinha, uma imagem, mais que todas as outras me surpreendia, ou melhor, um desejo. Ansiava ver Júlia de quatro, com a bunda arrebitada, piscando o cu para mim. O que me espantava em tal desejo não era a ideia em si, mas o fato de que nunca antes tinha desejado algo análogo; lembrava inclusive de situações passadas em que outras moças me tinham oferecido contemplar paisagem análoga, proposta sempre declinada por mim. Assim, me surpreendia o desejo, revelador de uma alteração em meus anseios eróticos. Também ficava imaginando a boceta de Júlia vista do mesmo ângulo, e lhe pedi para posar dessa maneira; respondeu com risos à proposta.

Depois de ter visto a boceta deliciosa fiquei absolutamente cativo, buscando a visão da moça continuamente, se é que já não o estivesse antes. Além da imagem na tela, obviamente, desejava tê-la em minha frente, mirá-la, pegá-la, agarrá-la loucamente, beijá-la, e tudo o mais com que a imaginação permite sonhar. A moça, no entanto, tirou-me o sossego; pensava nela durante o tempo todo, até a hora de dormir, quando ia para cama pensando nela, desejando-a, sonhando com as mais sensuais situações. Acordava pensando na menina, arquitetando situações excitantes com ela, mas me incomodava não conseguir tirá-la na cabeça em nenhum momento; Júlia roubava minha atenção constantemente, não permitindo que eu escrevesse, lesse, impossibilitando-me qualquer atividade que exigisse o mínimo grau de concentração.

Foi nesse estado que comecei a escrever uma história erótica envolvendo nós dois, único tema em que minha concentração conseguia se manter. Tinha em mente um propósito múltiplo: roubar a atenção da moça, combinando escrever conjuntamente a mesma história, e sair da inatividade, executando a única tarefa em que me era permitido me concentrar, e, mais que tudo, planejando incutir na mente da menina o desejo de vivenciar a história proposta. Foi, de fato, com esse espírito, que eu mergulhei na escrita de uma história incompleta, de um começo a ser continuado pela bela jovem que me alucinava. Tendo escrito o início de uma história, enviei-lhe o texto à espera de sua continuação.

A resposta chegou rápida, mas muito brevemente, sem conter a continuação combinada, mas prometendo encontrar novas “maneiras para te seduzir, te encantar, te alucinar”, como se tudo isso já não acontecesse todas as vezes que eu via a moça enquadrada na tela. De fato, no entanto, ela aperfeiçoava rapidamente suas artes de sedução, uma exibição, em especial, me enlouquecia. Trajando uma camiseta sem manga, Júlia puxava a roupa para baixo, estreitando a alça da blusa, e promovendo um embate extraordinário entre a roupa e seus peitinhos. A alça estreita comprimia e arredondava os peitinhos maravilhosos que se insubordinavam ante a tirania da roupa, buscando a liberdade. A contenda prosseguia sob o meu olhar ávido, enquanto eu torcia fervorosamente pelos peitinhos. As alças, criaturas malvadas, insistiam em reprimir, em atar os belíssimos seios realçados pela compressão, enquanto os peitinhos arfavam, lutavam até que um deles obtivesse êxito, libertando um biquinho rosado e, acreditava, tão ávido quanto eu. A vitória era fugaz, no entanto; o biquinho pulsava livremente apenas por alguns segundos, quando a alça malvada o capturava novamente, comprimindo-o em uma bolinha deliciosa, apetitosíssima, reiniciando a pugna sucessivamente, sem que nenhuma das partes admitisse a derrota, sempre sob minha torcida enlouquecida pela libertação dos peitinhos maravilhosos.

Do mesmo modo que os seios já não se revelavam de uma vez, mas se insinuavam sedutores, ameaçando revelarem-se, e só o fazendo aos poucos, e fugazmente, também a boceta passou a simular uma pudicícia aparente, revelando-se vagarosamente, sem os modos infantis e quase escandalosos com que a molequinha a expunha inicialmente; com uma sensualidade velada, tão menos explícita quanto mais contundente, a moça me deixava entrever uma boceta suculenta que eu contemplava sofregamente, alucinadamente, e assim se passavam os nosso dias, ao mesmo tempo em que comecei a escrever uma história com o intuito explícito de atiçar a moça ao extremo, de enlouquecê-la, de incutir nela um desejo invencível até que ela me chamasse para para agarrá-la consubstanciando finalmente todos os nosso sonhos.